sábado, 11 de junho de 2011

Texto "Moral, a escala de vocês", de Hugo Theophilo.

 



Faz um tempo abandonei a moral enquanto escala de valores, enquanto aferidor de pessoas, enquanto pré-requisito para amizades, enquanto passaporte para o céu.

Caim é um assassino, mas é de Deus...e ai de quem matá-lo!

Prostitutas e corruptos entram no céu primeiro que os religiosos, disse Jesus!

Não sou imoral como pensa o moralista. O imoral ainda se enxerga pela ótica da moral, ainda se percebe no pólo negativo da tabela de valores.

Continuo sendo afetado por essa escala. A vida social (há quem diga) está construída sobre ela. Muitos dos freios de um indivíduo são obras da moral. Segundo o sábio, sem o superego não existiria convivência! Dizem até que a ausência dele faz o psicopata!

Pois bem, abandonei a moral como escala de valores. Não sou indiferente a ela pois não dá pra ser, mas me relaciono com ela de forma consciente. Ela está fora de mim!

Abandono a moral para superá-la!

A todo instante ela reivindica e até exige a minha obediência, mas o Evangelho me salva desse confinamento.

"...se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei (moral), de modo nenhum entrarão no Reino dos céus."

A moral é a justiça que pergunta "Quem pecou para que este nascesse cego?"

O Evangelho é a justiça que responde: "Ninguém!"

http://hugotheophilo.blogspot.com.br/2011/04/moral-escala-de-voces.html

terça-feira, 7 de junho de 2011

Texto "O valor de todos os homens", de Raphael Juliano.

             

   Estava lembrando-me de algumas pessoas, de algumas personagens, de algumas estórias. Eu tentava concatenar as trajetórias de vidas individualizadas com a experiência Transcendental. Confesso que estava nesse processo sem nenhum juízo de valor, pois procuro não fazê-lo porque detesto que o façam de mim.
                Fui ao universo Marvel Comics e trilhei o caminho daqueles meus velhos conhecidos Kurt, o Noturno, Fera, o Dr. Mcooy, Ciclope, o mais velhos dos irmãos Summers. Lembrei-me também do meu amigo de cabeceira, Machado de Assis. Ah, cheguei à comoção quando em minha mente bateu aquele trejeito do amanuense Belmiro
                Em dado momento dessa minha viagem pelas máscaras e verdades daquelas figuras interessantes, lembrei-me de um velho conhecido; Jonas. Eu sempre quis entender a relação de Deus com Jonas, creio que foi por isso que minha consciência reivindicou a lembrança. Não sei se seria pretensão, mas eu queria entender. Confesso minha dificuldade inicial em compreender aquele tumulto relacional de ir, não ir....fugir.....e sei lá mais o quê....peixe grande engolindo e cuspindo. Então, exatamente no momento em que eu tentava mais uma vez ler aquela difícil teo- relação meu telefone vibrou, eu o olhei e pensei alto: the telephone. Para minha surpresa alguém que estava ao meu lado e se diz “crente” (não sei em que, ou quem) disse: “Eita que unção, hein? Lady Gaga?”
 E eu fique naquela: “ Am? O quê?”
 Ele continuou: “Essa aí tá no inferno.” 
                Bem, minha ficha caiu e fui arremessado ao mundo pop. Para o mundo das divas! Meu caro coleguinha referia-se àquela artista americana que arrasta multidões e tenta ser polêmica. Ela tem uma música chamada “The telephone”. Definitivamente não é o tipo da arte que eu curto. Não aprecio nada que seja para multidões. Gosto de fazer meus próprios processos.... gosto de caminhar e Caminhar.  Mas foi por uma sacada dele que eu tive um orgasmo intelectual. De Gaga voltei a Jonas e percebi que não tem nada a ver com ir ou deixar de ir simplesmente.  O alavancar da estória de Jonas não se trata de procurar um esconderijo para sua relação com o divino. O negócio daquele cidadão era o etnocentrismo que estava completamente arraigado em suas entranhas! Jonas achava que Deus possuía um senso desorientado de compaixão. Ele sabia que se fosse até Nínive e apresentasse àquele povo a carinha de Deus e ambos se entrosassem, Ele (Deus) relevaria sua “malícia” de outrora e faria festa de Graça. Os ninivitas apenas não conheciam esse tal “Eu Sou”. Era uma questão de “ Oi tudo bem?” ”Prazer, eu sou fulano.” Era uma questão de existências não-relacionais, que não se excluiam, necessariamente.
                Fiquei meio desorientado em como aquele contundente “essa aí tá no inferno” me abriu os olhos para o olhar valorativo d’Ele para conosco. Fiquei pasmo em como Lady Gaga foi epifânica e me mostrou como o probleminha d’Ele com Jonas era uma questão de valorização das pessoas.
                Não importa quem seja, onde está e qual crença professe, Deus valoriza o humano ser e o ser humano. E como nós não entendemos muito sobre as relações em profundidade, cantamos no ouvido d’Ele:” You called, I can't hear a thing / Você ligou, eu não consigo escutar nada.”(The Telephone music). É nossa melhor desculpa: “Não consigo entender!”
                Fui ao youtube e ouvi a música de Gaga. Definitivamente não gostei da arte com as palavras. A melodia consegue fazer alguns esqueletos balançarem e não creio que ela venceria algum festival de música mais exigente, mas daí entrar na ceara céu e inferno. Isso eu deixo para outra pessoa, afinal o olhar d’Ele é bem diferente do meu porque Sua régua de nivelamento é a graça, e não nacionalidade ou estilo musical. Estas duas últimas sim,.....(risos) são nossas!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Texto "Culpa, a busca da perfeição", de Antônio Roberto Soares.



O título do texto abaixo poderia ser alterado claramente por CULPA, A TENTATIVA DO HOMEM DE SER DEUS. Por que? Por que é impressionante como a ciência, no caso a psicologia, testifica do que Deus já havia declarado e ensinado na Bíblia.
Quando o homem pecou, o primeiro sentimento nele foi o medo, derivado da usa nudez, ou seja, a culpa, e assim Adão coseu folhas de figueira na tentativa de cobrir sua nudez, isto é, desenvolvera a partir daí mecanismos de fuga de quem ele se tornara, e iniciou-se aí uma falsa personalidade, o lugar onde todo o homem se esconde.

“E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.” (Gn. 3:9,10)

A trídade que governa todas as ações e motivações humanas sem exceção nenhuma, é a culpa – medo – fuga (falsa personalidade).
Você e eu não somos o que achamos que somos até que haja a intervenção divina do poder redentor do sangue e da Palavra de Jesus, o que acontece dia a dia operado pelo Espírito Santo, e isso, com muita dor, pois se trata de uma cirurgia de alma, que muitas vezes se dá sem anestesia, pois “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus.” (At.14:22)

Renato Montuani Filho

CULPA - A BUSCA DA PERFEIÇÃO
Antônio Roberto Soares

Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: "Não deveria...". A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a auto-tortura. Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra. Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu. O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.
Muitas pessoas dedicam a sua vida a tentar realizar a concepção do que elas devem ser, em vez de se realizarem a si mesmas. A diferença entre auto-realização e realização da imagem de como deveríamos ser é muito mais importante. A maioria das pessoas vive apenas em função da sua imagem ideal e este é um instrumento fenomenal para se fazer o jogo preferido do neurótico: a auto-tortura, o auto aborrecimento, o auto-castigo, a autopunição, a culpa.
Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!
A culpa sempre se esconde atrás da máscara do auto-aperfeiçoamento como garantia de mudança e nunca dá certo. Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista de nossos "pecados" no confessionário é sempre a mesma. A culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos. Por isto mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio. Não existe nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa. A culpa é um auto-desprezo, um auto-desrespeito pela natureza humana, por seus limites e pela sua fragilidade. A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida. Por isto é que se diz que, ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos, e a nossa recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas que ainda residem dentro de nós.
Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva, são algumas crenças falsas. Trabalhar o sentimento de culpa é, primordialmente, descobrir as convicções falsas que existem em nós, aquelas verdades em que cremos e que são errôneas, e nos levam a este sentimento. A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito, quem acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa. A expectativa perfeccionista da vida é um produto da nossa fantasia, é um conceito alienado de que é possível não errar, que é possível viver sem cometer erros.
Quanto maior for a discrepância entre a realidade objetiva e as nossas fantasias, entre aquilo que podemos nos tornar através do nosso verdadeiro potencial e os conceitos idealistas impostos, tanto maior será o nosso esforço na vida e maior a nossa frustração. Respondendo a esta crença opressora da perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas necessidades. Nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente as nossas limitações e desempenhamos papéis sem base na nossa capacidade. Construímos um inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de como realmente somos. Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.
É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que cada um espera do outro. É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição gera tensões e hostilidades, num jogo mútuo de culpa. Esta situação se aplica a todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito. Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos neuroticamente para atender ao irreal. Embora as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas! Embora digam que a perfeição não existe, continuam a se torturar e a se punir e continuam a torturar e a punir os outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista do qual não querem abrir mão.
Outra crença que nos leva à culpa, esta talvez mais sutil, mais encoberta e profunda, é acreditarmos que há uma relação necessária entre o erro e a culpa, é a vinculação automática entre erro e culpa. Quase todas as pessoas a quem temos perguntado de onde vêm os seus sentimentos de culpa, nos respondem taxativamente que vêm de seus erros. Acreditamos que a culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode, de maneira alguma, haver erro sem haver culpa. Se acreditamos nisto, estamos num problema insolúvel. Ou vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa - e isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida - ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. Essa vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa. A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado. Uma coisa é o erro, outra coisa é a culpa; erros são erros, culpa é culpa. São duas coisas distintas, separadas, e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída para o nosso sentimento de culpa. O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão.
O que é chamado erro é a saída fora de um modelo determinado, que pode ser errado hoje e não amanhã, pode ser errado num país e não ser errado em outro. A culpa é um sentimento, vem de nós, vem da crença de que é errado errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas; crença de que a cada erro deve corresponder necessariamente um castigo, de que a cada falta deve corresponder uma punição. Aliás, o sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido. Não é possível não errar, o erro é inerente à natureza humana, ele é necessário a nossa vida. Na perfeição humana está incluída a imperfeição. Só crescemos através do erro.
As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa. Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa infrutífera de acabar com a nossa culpa.
A propósito do erro, há um texto interessantíssimo no livro "Buscando Ser o que Eu Sou", de Ilke Praha, que diz: "O perfeccionismo é uma morte lenta. Se tudo se cumprisse à risca, como eu gostaria, exatamente como planejara, jamais experimentaria algo novo, minha vida seria um repetição infinda de sucessos já vividos. Quando cometo um erro vivo algo inesperado. Algumas vezes reajo ao cometer erros como se tivesse traído a mim mesmo. O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita presunção de que sou potencialmente perfeito e de que, se for muito cuidadoso, não perderei o céu. Contudo, o erro é uma demonstração de como eu sou, é um solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não estou lidando com os fatos. Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de me lamentar por dentro, terei crescido". Este é o texto.
Algumas pessoas nos perguntam: "Mas como avançar em relação a este sentimento, como arrancar de mim este hábito de me deprimir com os erros cometidos?". Só existe uma saída para o sentimento de culpa. Façamos uma fantasia: imaginemos por um instante que estamos à morte e nossos sentimentos deste momento são de angústia, tristeza e frustração por todos os erros cometidos, por tudo o que deveríamos ter feito e não fizemos; remorsos pelos nossos fracassos como pai, como mãe, como profissional, como esposo, como esposa, como religioso, como cidadão, mas, ao mesmo tempo, estamos com um profundo desejo de morrer em paz, de sair desse processo íntimo de angústia e morrer tranquilos. Qual a única palavra que, se pronunciada neste momento, sentida com todo coração, teria o poder de transformar a nossa dor em alegria, o nosso conflito em harmonia, a nossa tristeza em felicidade? Somente uma palavra teria essa magia. A palavra é: Perdão.
O Perdão é uma palavra perdida em nossa vida. O primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o sentimento de perdão, o sentimento de auto-perdão. Se a culpa é a vergonha da queda, o auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O auto-perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo: "Eu me perdôo pelos erros cometidos, eu me perdôo por não ser perfeito, eu me perdôo pela minha natureza humana, eu me perdôo pelas minhas limitações, eu me perdôo por não ser onipotente, por não ser onipresente, por não ser onisciente, eu me perdôo por...". O perdão é sempre assim mesmo, é pessoal e intransferível.
O perdão aos outros é apenas um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos. Perdoarmo-nos é restabelecer a nossa própria unidade, a nossa inteireza diante da vida, é unir outra vez o que a culpa dividiu, é uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito; é o encontro corajoso e amoroso com a realidade.
Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia. A criança faz isto muito bem. O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e nos baixos. O auto-perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, é a aceitação de que o passado é uma fantasia, é apenas saber perder o que já está perdido. O auto-perdão é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma adesão ao presente, à única coisa viva que possuímos, que são nossas possibilidades neste momento. Não podemos abraçar o presente, a vida, o passado e a morte ao mesmo tempo. O perdão é uma opção para a vida, o auto-perdão é a paciência diante da escuridão, é o vislumbre da aurora no final da noite. O auto-perdão é o sacudir da poeira, é a renovação da auto-estima e da alegria de viver, é o agradecimento por sabermos que mais importante do que termos cometido um erro é estarmos vivos, é estarmos presentes.
Para encerrar este tema, quero sugerir-lhes uma reflexão sobre este texto escrito por Frederick Pearls: "Que isto fique para o homem! Tentar ser algo que não é, ter idéias que não são atingíveis, ter a praga do perfeccionismo de forma a estar livre de críticas, é abrir a senda infinita da tortura mental. Amigo, não seja um perfeccionista. Perfeccionismo é uma maldição e uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo. Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova. Amigo, não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Texto "Ainda bem que você se converteu, fariseu", por Raphael Juiano


     Outro dia estava em uma reunião, e como nas várias reuniões que frequento, havia um palestrante, professor, moderador ou sei lá o quê à frente conduzindo a discussão. Essas reuniões, diga-se de passagem, são bem produtivas. Uma das mais produtivas foi aquela na qual José Wilker estava à frente, ou ao centro, sei lá. Pois bem, voltando à última das reuniões, um homem que admiro conduzia uma bela reflexão. Essa pessoa é graduada em Teologia, leciona na área, tem uma escola infantil e se diz cristão.
     Em dado momento, entramos na questão do pseudo-casamento gay, que supostamente foi aprovado no Brasil. Chamo pseudo porque é pseudo!De antemão já fiz uma de minhas caras e bocas, porque não existe no nosso país casamento gay. O que há na verdade é a intenção legislativa de se fazer um contrato entre as partes de um relacionamento homoerótico para que em caso de futuras demandas judiciais, pela morte de um dos interessados ou desacordo relacional de ambos, ninguém seja prejudicado no que tange ao Direito Civil. Então não se fala aqui de Direito da Família, ou mesmo do Direito estar invadindo os altares das denominações religiosas destas terras tupiniquins. O que temos é o respaldo jurídico para pessoas que constroem um patrimônio juntas. Para dois sócios! Agora se eles transam, isso não é problema do Direito.
     Bem, em dado momento da análise desse novo texto jurídico, o moderador disse: "Quando eu era mais jovem, quando passava um efeminado perto de minha casa, eu e meus amigos cantavámos um corinho:bichinha, bichinha". Olhei desconfiado para aquele nobre palestrante e pensei:Ele não se diz cristão?O Cristo, que ele diz seguir, não acolheu a todos e a todas? Inclusive quem barganhava sexo?Nesse momento lembrei-me que um dos evangelistas que sempre gostei de ler desde os meus tempos de conventual do Carmelo, Mateus, era um homem a serviço de Roma. Ele era um publicano. Explorava Israel cobrando altos impostos em nome do imperador romano. Lembrei-me que Mateus só escreveu a biografia de Jesus, muito provavelmente, porque este decidira almoçar na casa daquele. É, eu sei. Os fariseus se escandalizaram (risos). Devem ter pensando: "O cara se diz Deus e vai almoçar na casa desse cobradorzinho de impostos?"
     Talvez você se escandalize ao ler este texto. Talvez você entenda que é um manifesto homoafetivo. Talvez você creia que meu amigo moderador daquela noite deveria continuar gritando seu corinho quando visse um efeminado. Mas talvez você nunca entenda que existe um princípio básico que rege o cosmos: ação gera reação. Intransigência gera intransigência. Acolhida gera acolhida. Isso é básico!Mas não para os fariseus.
     Continuei observando os rumos da triste discussão que veio à tona naquela noite. Triste porque todos meteram os pés pelas mãos e achando-me a única voz sóbria, me vi também cheio de soberba e por isso ao final daquele diálogo eu só pensei, confesso que não falei....mas só pensei: AINDA BEM QUE VOCÊ SE CONVERTEU, FARISEU. (risos)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Texto "É possível a relação de amor se tornar um peso??" (Desconhecido)

Costumo dizer que ao invés de historiador deveria ter sido psicólogo ou Padre.
Muitos – alguns amigos e familiares – procuram-me para desabafar. Na maioria das vezes casais – ou ao menos um deles. Os problemas são muitos e parecidos:

Estou casada há 15 anos, não agüento mais meu marido. Ele não me ajuda, deixa todo o trabalho da casa e dos filhos nas minhas costas. Amanhece o dia com grosseria e quando chega a noite ainda quer sexo.
Meu marido só pensa em sexo.
Minha esposa só sabe reclamar: reclama que gasto muito, que bebo muito, que gosto muito de sexo, que dou mais atenção aos amigos que a ela.
Meu marido não me enxerga, na verdade ele só me vê como uma boneca inflável.
Minha mulher, meu marido gasta muito, estoura o orçamento do mês.
Meu marido é um alcoólatra, não agüento mais.

E as reclamações vão se multiplicando. Na maioria das vezes percebo que depois de um tempo de casamento/convivência marido e mulher apenas se suportam, se toleram. A relação se torna um peso. Alguns e algumas me perguntam se o melhor é separar-se. Pergunta difícil. Resposta ainda mais difícil.
Acredito que em alguns casos depois de muitos anos e de uma série de desgaste, de várias tentativas o melhor é libertar-se mutuamente para reencontrar a felicidade.
Mas, de verdade talvez o melhor não seja terminar o que um dia foi tão bonito e rico de amor, alegria e felicidade.
Às vezes é necessária uma transformação. Um começar de novo. Um tentar entender que embora tendo desgastes é possível ´voltar ao primeiro amor’. Aquele tempo de gentilezas, delicadezas, presentes e presenças. Uma nova viagem de lua de mel. Uma noite inesquecível em um motel com direito a todas as regalias. Um presente inesperado. Uma visita fora de hora. Enfim, artifícios para reacender aquela chama – que se um dia existiu é possível que volte a fumegar.
O tempo é um grande aliado que temos. Cura feridas. Liberta ‘ prisioneiros’. Amadurece a alma. Mas, é também um inimigo. Pode desgastar os amores.
Por isto gosto sempre de pensar na frase de Adélia Prado: “ O que a memória ama se torna eterno”! E eternizado, só nos resta buscar esse amado, esse eterno. Quando se ama nada é peso, mas antes muito leve.

Texto: "LIDERANÇA NÃO É PARA CRIANÇA", de Marcelo Quintela (Caminho da Graça).


O LÍDER é sempre o primeiro a pisar o território inimigo, e o último a deixar o campo de batalhas.

O LÍDER não deve deixar os feridos pelo meio do caminho, mas cuida-lhe dos ferimentos, mesmo que isso pareça comprometer o avançar da batalha.

O LÍDER é líder de gente, não de coisas. Ele constrói relacionamentos, não prédios, ele fica no meio do povo, não atrás da mesa. Ele é uma pessoa e não um robô. Ele é um santo, não um anjo.

Ele se preocupa em atacar o inimigo, e não ao outro. Pois, na guerra espiritual na qual está envolvido, ele bem sabe que seu adversário não é de carne e osso, e por isso, não aponta suas armas contra si mesmo.

O LÍDER não pode exigir o que não consegue ser ou fazer. Não deve impor sobre os ombros dos outros os fardos que ele mesmo não consegue carregar.

O LÍDER não pode aproveitar-se de sua posição para massacrar mentalidades mais fracas, para “entrar rasgando”, para estuprar a alma carente de tão perdida e já invadida pela vida ímpia.

O LÍDER só pode indicar o caminho a seguir. Ele não pode decidir pelo outro. Ele toma pequeninos pela mão, mas não os empurra e nem força ninguém a fazer escolhas. Ele deixa as pessoas crescerem.

O LÍDER não convence na marra, não usa de ameaças e persuasão, não intimida criancinhas, não é um tirano. O LÍDER é capaz de ser doce, sem ser permissivo! Não é um vovô bonachão que fica distribuindo pirulitos, mas também não é um pai tão severo quanto ausente.

O LÍDER não fica procurando em quem bater: não sai metendo o pé em barracas, caçando orelhas para puxar, gente para envergonhar, para expor, punir, apontar o dedo. Ele não “chuta o balde”, a não ser com os cínicos, com os que vendem religião, com os que comercializam a fé, com os desconvertidos mal-intencionados.

O LÍDER considera o outro superior a si mesmo, ele valoriza o “insignificante”, ele honra os anônimos, ele ama os fracos, e se esforça por não escandalizá-los. Ele se faz um igual.

O LÍDER é mais que um diácono, mais que um ancião, ministro ou presbítero, é mais que um auto-denominado bispo ou apóstolo. Ele é um filho amado do Pai, irmão de seus irmãos, que os serve com seus dons. Serve sem procurar ser servido.

O LÍDER tem convicções, mas isso não significa que não possa mudar, abrir mão, repensar. O LÍDER NÃO É INFALÍVEL! Ele não tem sempre os melhores planos e conselhos (para muitos, idéias são como crianças: As nossas são sempre melhores).

O LÍDER pode rever seus conceitos, admitir falhas sem ter vergonha. Ele aprende com o passado, sem ficar nele. Ele olha para o futuro, mas não vive nas nuvens das ilusões infantilizadas.

O LÍDER deixa os outros terem idéias também, ele não é a origem de tudo, a fonte de tudo, não possui inspiração exclusiva, discernimento permanente.

O LÍDER, quando fala, fala a verdade. Ele é transparente, autêntico. E quando a verdade doí, ele a fala com dor. Como quem não quisesse falar, confrontar. Ele precisa expor a verdade, mas ele não faz isso pra rachar, pra quebrar de vez.

O LÍDER não fica cavando pecados alheios para se divertir com eles. Ele olha primeiro para dentro de si, e sonda diariamente seu coração de crente.

O LÍDER não pode apedrejar ninguém, salvo exceção: os líderes que não tem pecado! Esses podem castigar, “depenar” e escarniçar os pecadores.

O LÍDER não pode ficar preocupado com sua reputação. Ele precisa encarar com naturalidade ser alvo de críticas e pré-julgamentos. Ele precisa saber acolher, abraçar e beijar até os que, ocultamente, não retém suas línguas afiadas.

O LÍDER, porém, também não é escravo de seu comportamento. Ele não é um ator. O LÍDER não precisa fazer caras e bocas. Precisa ter uma só face, sem mascaramentos. Não deve ser ora sim, ora não, de acordo com a conveniência.

O LÍDER não precisa ter voz de líder, roupa de líder, postura de líder, olhar de líder. O LÍDER precisa ter coração de servo, vestes brancas, joelhos flexionados e olhos de compaixão.

O LÍDER não precisa gritar por respeito, testar a obediência, verificar o alcance de sua autoridade. Ele não precisa apresentar títulos, ostentar currículo, berrar sua posição.

O LÍDER não pode “chorar suas pitangas” pelos corredores, não pode se “empanelar”, fazer bico, montar fã-clube, ser parcial, tendencioso, político.

O LÍDER abre mão de seus direitos, raramente se defende. Ele defende sua Causa: o Reino! Ele não se glorifica. Ele glorifica seu Rei: Jesus!

O LÍDER não é auto-suficiente. Não é LÍDER de si mesmo. Professor de si mesmo. Pastor de si mesmo. Fã de si mesmo! Seu lema é DEPENDÊNCIA OU MORTE!

O LÍDER não é um super-heroí. Ele também chora, também cansa, também tem mau-humor, dias difíceis de tristeza e solidão. Ele também precisa de ombro do irmão e do colo do Pai.

O LÍDER precisa aprender a descansar, a parar, dar um tempo, refletir, sossegar o coração cansado, estar à sombra, retirar-se, reciclar-se, recostar-se aos pés de Mestre.

O LÍDER precisa saber frear-se, conter impulsões, controlar a vontade de tanto falar e pouco ouvir, a ânsia por dominar, argumentar, concluir, finalizar... colocar pontos finais. Precisa deixar uma margem de espaço para o outro caminhar sem opressão.

O LÍDER não ama e nem é amado por causa de seu desempenho. Ele não é um ativista, não deve se preocupar em agradar a todos, mas sempre a Deus.

O LÍDER busca ser fiel e não bem-sucedido. Ele sabe que obedecer é melhor que sacrificar. Líderes que não obedecem a Deus não podem ser obedecidos.

O LÍDER sabe que essa peleja não é café-com-leite, que a guerra (War) não é um jogo. A caminhada cristã não é de mentirinha. Sabe que a Igreja não é um tabuleiro, e as vidas não são peças de um game de estratégia.

Naquilo que Jesus chamou de “Sua Igreja” as hierarquias são horizontais e não verticais, e existem no sentido de servir com os dons ministeriais que todos reconhecem existir em tais irmãos; não havendo nenhuma liderança por imposição, ordenação, oficialização, sacramentação ou currículo teológico e político. Não. Em Cristo, os discípulos são “forçados” a compreender que os maiores servem os menores, e os maiores só são maiores porque se curvam para lavar aos pés daqueles que caminham pelo terreno arenoso da vida.

Pense nisso!