Um não-espaço! Não tenho compromisso com princípios, comprometo-me com pessoas.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
DIÁRIO DE UM TIO 4
16 de janeiro de 2012;
Adélia Prado certa vez escreveu algo do tipo: "a memória só guarda aquilo que o coração amou". Lembrar é amar! Essa é uma verdade quase que absoluta e quando a distância tenta ser uma divindade em nossas vidas percebemos isso com mais clareza. Quando a distância quer que nos ajoelhemos aos seus pés e nos rendamos permitindo que o esquecimento abrace definitivamente aquilo que o coração se esforça por vivificar na mente, temos que perceber o pulsar ofegante da saudade no corpo. A saudade é esse sintoma do que está guardado na alma. É a força da presença que não quer se fazer ausente.
Tenho recebido fotos de minha irmã para deixar o coração sempre aquecido. Tenho falado com o pequenino ao telefone para que ele não se esqueça de minha voz. Tenho feito minhas liturgias relacionais (apesar de ter abandonado liturgias faz muito tempo) para tornar este meu coração mais forte. Afinal, liturgias, símbolos são para os fracos. E quem não é fraco? Quem não precisa vez ou outra, de um sinal, de um rito, de uma epifania? Precisamos sim, de sacramentos relacionais, para tocar a beleza das relações. Que sejam fotos, flores, cartas, emails... que sejam telefonemas e mensagens! É preciso trazer à memória o que o coração ama através de sacramentos.
Obrigado pelas fotos que fazem lembrar, minha irmã querida.
Obrigado pelas letras que fazem chorar, Exupéry.
RJ
sábado, 14 de janeiro de 2012
Desculpem!
Amigos, estou tentando mudar um pouco o blog neste 2012, mas devido minhas dificuldades de inteligência-virtual as coisas estão ficando confusas,rs. Mas o espaço continua sendo um depósitos de afetos.....
RJ
RJ
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Satanizaram o Natal, por Bráulia Ribeiro.
Bráulia Ribeiro
De como os evangélicos vão ficando cada vez menos humanos e trabalham sem saber para a desevangelização do Brasil.
Satanizaram o Natal. Me parece até surreal quando vou a igrejas, e a sites evangélicos, e não se faz nem uma referência ao Natal sequer, nem se tem um culto de celebração dia 24, ou 25 parte da tradição cristã há tantos séculos. Às vezes não acredito, me belisco, penso, não, esta doença vai passar, mas que nada, se alastra mais e mais. Mesmo os cristãos que contra a corrente mandam seus cartõezinhos, se sentem no dever de nos exortar contra o comercialismo, contra os presentes, no meio de votos tímidos de felicidade e feliz ano novo. Quando encontro um irmão na rua e desavisadamente comprimento com um animado: “Feliz Natal!” Eles me olham como se estivesse falando uma heresia, ou num ar condescendente explicam que já não estão mais neste mundo e que Cristo nasce todo dia….
Tradições religiosas como o Natal tem o papel de reforçar valores sociais comuns. Enquanto no carnaval e no reveillon, a tradição é subverter valores, se esbaldar, praticar o impraticável durante o resto do ano, por isto são chamados por Roberto Damatta, antropólogo brasileiro de “ritos de inversão”, na festa do Natal principalmente os trabalha para reforçar os valores positivos. Natal é a festa da família, de comer juntos um peru, de decorar a árvore ou o presépio, de cantar hinos, de se presentear os amigos, os familiares, de dar gorjetas maiores, de pensar nos que estão distantes. Nesta época Holywood lança inúmeros filmes sobre pais e filhos, pais desnaturados com valores errados, que de alguma forma perderam a noção do que é importante, e nesta época se encontram com algo que “os converte” novamente à família. Nesta época até os sem religião ficam com os olhos marejados diante de um presépio bem feito, ou dos garotos cantando canções natalinas nas janelas do HSBC em Curitiba.
Boicotar as festas cristãs mais importantes como o Natal e a Páscoa é boicotar-se a si mesmo, perder uma boa oportunidade para falar de Cristo, abraçar pessoas, espalhar fraternidade e carinho numa época em que as pessoas se voltam automaticamente umas para as outras. Nossa vida em sociedade é feita de ritos, tradições e heranças simbólicas. Estes crentes anti-natal, dominados por um zelo místico e sem respaldo bíblico querem renegar todas suas tradições culturais, até as mais inofensivas.
Ritos de reforço são tão necessários quanto ritos de inversão. Não é porque nos convertemos que deixamos de ter cultura. Continuamos a ter necessidade de reforçar socialmente o que acreditamos. Ironicamente a falta do Natal, junto com a demonização de certos símbolos cristãos como a cruz, continuou tendo este mesmo fim social. Se tornaram os “desritos” que reforçam a separação evangélica do mundo. Mas porquê se tornaram necessários artifícios sociais como estes, se a nossa cultura cristã quando puramente bíblica já nos “marca” automaticamente com uma diferença moral, já nos banha como o hissopo da conversão do caráter que tem não tem paralelo a nenhuma outra experiência humana? A mudança de caráter, a conversão de valores é segundo Jesus (Jo17) e deveria continuar sendo a maior marca que torna os cristãos conhecidos não importa a cultura, os ritos que praticam ou deixam de praticar, a freqüência ou não na igreja.
Infelizmente o sincretismo moral tomou conta da igreja. Pregamos nos nossos púlpitos do mesmo jeito que se prega nas palestras de auto-ajuda nos auditórios de hotéis. Você pode, você merece, você tem direito. Estamos debaixo da soberania do eu, da tirania da felicidade egoísta. Se distribuem riquezas, beleza, orgasmos múltiplos, alegrias festivas nos púlpitos, numa supercialidade que nos faz duvidar que Jesus morreu na cruz, mas deve ter acendido aos céus numa almofada cor de rosa.
O Natal vai sim se tornar uma festa cada vez mais pagã. Vai se falar mais em trenós, duendes e renas, neve (mais uma estupidez nossa, europeus dos trópicos) e cada vez menos no nascimento de Jesus, porquê nós não vamos estar presentes no cenário cultural geral para salgar nada. Vamos ignorar a importância da história mais recente, super-valorizando uma origem pagã datada de milhares de anos atrás.
Nosso cristianismo vai se tornar apenas uma experiência mística vazia, ao invés de uma realização do fato mais importante da história da humanidade, o nascimento do criador em forma de homem. Fato constado historicamente, documentado, materialmente fisicamente e culturalmente real num dia específico da história humana. Um dia ele nasceu, não sei se em setembro, novembro ou dezembro, a acuracidade do mês e do dia não importa tanto quanto o evento. Um bebê humano em toda sua fragilidade, chorou ao ser parido por uma mãe humana. Mas nele havia o DNA divino. Nele estava contida toda a plenitude da divindade, numa maneira que nossa mente limitada não alcança entender. Ele era Deus mas não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas antes tomou a forma de servo e seguiu até a morte na cruz.
Nascer, viver, morrer e ressucitar de uma maneira divina, no entanto humana foi sua mensagem principal. Eu os amo, amo a ponto de me encarnar, de me limitar à sua humanidade, de me tornar criatura, eu o Criador, e assim ensinar-lhes como viver. E assim marcar a história humana com um AC DC. E assim me tornar o autor da maior transformação que a humanidade já sofreu. Esta história que se repete hoje nas nossas vidas, é verdade que ele “nasce” dentro de nós quando nos convertemos, teve um início.
Só me resta agora lamentar nossa ignorância. Ignorância religiosa, sociológica, cultural. Desprezamos símbolos importantes numa fase em que deveríamos reforçar-lhes o valor. Iludidos por ensinos enganadores, superficiais, que desconsideram tanto a história deixamos de relembrar a humanidade do que ela já sabia, mas está esquecendo.
Só me resta lamentar este evangelicalismo armadilha no qual fomos presos. Não sabemos ser cristãos mais. Tornamos-nos semi-bruxos exotéricos, neo-cristãos-medievais próximos das experiências místicas, mas distantes das verdades históricas profundas. Somos capazes de pregar uma felicidade terrena sem limites, mas incapazes dos sacrifícios morais, incapazes da verdadeira santidade, somos capazes de discriminarmo-nos uns aos outros com base em sutis discrepâncias doutrinárias, no entanto incapazes de amar.
ESTE TEXTO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE NO LINK CRISTÃO:
http://www.genizahvirtual.com/2012/01/satanizaram-o-natal.htmlterça-feira, 3 de janeiro de 2012
DIÁRIO DE UM TIO 3
03 de janeiro de 2012;
Após os últimos dias do nosso tênue referencial de tempo, com nossas “orgias gastronômicas” – como diria um amigo – volto a ler para meu pequeno Enzo.
Ele estava chorando muito. Creio que por algum tipo de manha infantil. Provavelmente queria o colo, mas por ordem da mãe deixei-o no berço e retomei a leitura de “O Pequeno Príncipe”. O pequenino tem pulmões fortes, mas nada que a suave literatura de Exupéry não pudesse acalmar. Conforme lia, afagava o bebê e o choro dava lugar à quietude, ao olhar sereno de uma vidinha que tenta entender a oralidade rouca de um tio-leitor. Aos poucos os olhinhos grandes e pretos foram ficando menores, meio que atordoados, como se o bebê-ouvinte estivesse tomando uma dose de algum anestésico bom prá alma. E cerraram-se os olhinhos antes mesmo que eu pudesse apresentar a raposa ao Pequeno Príncipe, no capítulo XXI.
Incrível como é fácil fazer disso uma espécie de oração-leitura que nos liga a Deus com uma dinâmica tranqüila e amistosa.
Essa é nossa oração de hoje: choro, olhar, literatura, sono e, sobretudo a certeza de que nossos espíritos se uniram ao Espírito em amor.
RJ
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Feliz ano velho, feliz ano novo.
Alguém me escreveu outro dia fazendo referência à inteligência do homem que começou a contar o tempo. Sempre pensei nisso, mas nunca com a intenção de maximizar o mérito de quem quer que seja que iniciou a contagem do nosso tempo. Sequer sei quem é. Na verdade eu sempre pensei na importância de termos referências para que pudéssemos viver o que realmente importa, e não para termos um relógio nos dizendo o tempo todo que estamos atrasados. A referência para mim serve como termômetro de vida em profundidade. Recuso-me a permitir que o relógio diga-me quanto tempo estou perdendo com minhas sonecas. Recuso-me a permitir que o relógio diga-me quanto tempo estou desperdiçando com poesia. Recuso-me a permitir que o relógio diga-me quanto tempo estou deixando passar com internet e telefone, desde que estes me unam às pessoas que amo. Não permito que os ponteiros sejam deificados e conduzam minha vida através da mínima: Tempo é dinheiro. A referência à qual faço menção é a mesma feita por Rubem Alves: Tempus Fugit! O tempo está passando, fugindo de nós. E o que temos sentido? A pergunta é essa: o que temos sentido. Não ouso perguntar sobre o que tenho feito, porque é cair de um precipício. Fazer, ter, comprar, possuir.... são verbos que não entram em minhas prioridades quando penso em referência de tempo.
Chegando ao final de mais trezentos e sessenta e cinco dias (que poderiam ser duzentos, ou cento e vinte – afinal é só referência) reporto-me às minhas sensações. Às minhas emoções. Àquilo que pude proporcionar e ao que me proporcionaram.
Ao findar desse dois mil e onze posso afirmar que sou mais feliz.
Sou mais feliz porque comprei menos e doei mais.
Porque liguei mais para meus amigos.
Amei mais minha família.
Sou mais feliz porque procurei ser mais generoso com o outro e mais exigente comigo mesmo.
Sou mais feliz porque viajei mais para encontrar-me com pessoas que amo.
Porque aprendi a diferença entre exercitar a solidão que amadurece e ser sozinho.
Sou mais feliz porque investi em pequenos momentos: correr, pedalar, caminhar, olhar o céu.
Porque só li aquilo que eu quis. Porque não li nada técnico.
Quando olho para o ano que está morrendo percebo que consegui recuperar velhas amizades, quase esquecidas pela idolatria aos deuses tempo e distância, mas revivificadas pelo poder do olhar e das palavras ditas com afeto.
É bom descobrir que as calamidades do universo não me destruíram, apesar de terem me abalado.
Sou mais feliz porque conheci pessoas novas, tão boas quanto as velhas, e porque com ambas continuo descobrindo a beleza de ser humano.
Hoje quando percebo o ano se esvaindo pelas minhas mãos sou grato a ele, por ter me oportunizado, em seu referencial de tempo, encontrar, desencontrar, reencontrar e encontrar de novo, e continuar encontrando motivos para viver bem o tempo que se vai.
Que em dois mil e doze, como diria um amigo, sejamos menos lâmpada e mais luz. Que sejamos mais humanos com o tempo que temos pela frente. Que deixemos as velhas brigas em prol de novos ideais. Que abracemos mais. Que aprendamos a andar de bicicleta de novo. Que possamos ir à missa, ou ao culto, ou à reunião de Evangelho nos lares com liberdade. Que exercitemos a caridade com o que está ao nosso lado e com o que está em outro continente. Que em dois mil e doze possamos dizer ao dinheiro “quem é mesmo o dono de quem”.
Que no próximo referencial de tempo você e eu possamos ser felizes na simplicidade das coisas simples, e que se vierem as complexas, que sejamos felizes com elas também, porque o que importa é ter consciência de que a felicidade é um caminho que escolho sendo senhor do meu tempo. Porque Tempus Fugit!
Feliz ano velho, feliz ano novo.
Raphael Juliano
Raphael Juliano
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