terça-feira, 26 de junho de 2012

Não estou parado....

Caros amigos leitores deste espaço, não tenho postando porque estou envolvido em um projeto pessoal de literatura, mas assim que puder voltarei!

Abraços!!

RJ

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Poema "Com putas", de Marçal Aquino.


Ontem
morreu a puta mais velha
da vila.
Tinha cabelos brancos,
um dente de ouro
e uma foto adolescente.
Nunca reclamou do tempo,
do governo
e do preço das coisas.
Mas, desconfio, tinha desertos dentro de si.

Foi vista um dia
Olhando uma nuvem.

Gostava de um vestido vermelho
que nem lhe servia mais.

Quando ela morreu
dois negrinhos barrigudos
olhavam o incêndio
num monte de lixo.

Dizem que foi a paixão
de um importante político
nos anos 40.
Teve jóias,
roupa nova,
convite pra festas
e pneumonia.
Sobraram-lhe as rugas:
michê de fim de expediente.
Votou em Getúlio
e sempre respeitou a sexta-feira santa

Paixão ela teve duas
Um manco de bigodinho
e um outro que voltou pro Norte.
O esmalte no dedão descascava
Como descascam certos dias
e a gente não vê.

Morreu só
a puta mais velha da vila. E uma doença
que quase a matou. Um cara perguntou
se ela era feliz. Outro, por que não casou.
E ela sabia
que um Domingo
rodeada de netos no subúrbio
é também uma prisão.

Preferiu a cerveja morna
e o São Jorge sobre a cômoda.

Morreu velha essa puta na vila.
Sem saber a idade ao certo
mas dos setenta chegou perto.

Morreu numa tarde anônima
com criança olhando incêndio
e cachorro magro
passeando na vila. Tarde comum
com tédio de vestido vermelho
e de varal de vila.
o mesmo tédio
de que é feita a fúria da primavera
e a esperança das putas.

domingo, 27 de maio de 2012

Mediação de Conflitos – o diálogo como caminho, por Rossana Maia Angelini.



"Atualmente, a palavra que mais ouvimos na mídia é conflito. Os conflitos estão por toda parte: na escola, na família, nas nações, nas relações humanas...Portanto, queremos propor uma reflexão, junto aos pais, aos professores e à sociedade, sobre a importância do diálogo como possível facilitador de relações conflituosas.
Compreendemos que a mediação de conflitos deve ser estendida à rede escolar de ensino. Nosso intuito é o de propiciar às crianças, aos adolescentes, a todos os envolvidos no universo escolar uma reflexão sobre seus comportamentos e atitudes nas relações que estabelecem, fundamentalmente hoje, quando o bullying está nas escolas causando dor e sofrimento a todos. Na mediação dos conflitos, buscamos o diálogo como caminho.

MEDIAÇÃO – aspectos relevantes:

- A mediação ocorre desde que o homem nasceu. Há sempre alguém na comunidade quem administra os conflitos.

-A mediação é feita por um terceiro e pode estabelecer uma transformação das partes, o que possibilita um acordo, ou não.

- A mediação empodera o outro – sua abordagem é transformativa, leva os mediados a verem sua competência; propicia o reconhecimento do outro, o que legitima cada um dos envolvidos.

- A mediação tem como objetivo tornar as pessoas competentes para o diálogo, por meio da co-responsabilidade, da co-construção, para que os mediados saibam sair do conflito.

- A mediação surge como uma mudança de paradigma, implica na interação; no diálogo; na conversação; na multivisão; na cooperação.

- A mediação tem como proposta transformar as relações sociais por meio da interação.

- A cultura da mediação no Brasil vem a partir de 1997.

Enquanto mediadores – dentro de uma abordagem transformativa, precisamos buscar construir recursos para o distanciamento, para que não haja um envolvimento pessoal por parte do mediador, visto que mediar é um processo de relação dialógica. O observador deverá estar sempre em processo de relação dialógica.
A proposta do processo dialógico é levar os envolvidos na relação, por meio de perguntas, a uma reflexão. Uma forma de humanizarmos a relação, é possibilitar igualmente às pessoas  perguntas que as farão refletir e se ouvirem. O foco dessa abordagem está no processo e não no resultado.

Assim, o mediador precisa encontrar o foco da relação, saber enxergar e compreender o que é dele (do mediador) e o que é do outro (do mediado); pois enquanto mediadores, precisamos cuidar da relação de todos os envolvidos no conflito, fazer reflexões necessárias para processar a situação de forma a alcançar uma postura de “neutralidade que reconhece o envolvimento”, uma forma de acolher a dor do humano."

Rossana Maia Angelini – Profª Mestre em Educação, Administração e Comunicação, Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e Escritora.

Poema "Comparsas", por Raphael Juliano.

E ele chorou.
Leu e chorou. 
Chorou pelo amigo,
pela triste sensação de vida interrompida.
Há muito tempo ele não chorava.
Mas depois do choro eles beberam.
Eles viajaram.
Eles dormiram de novo,
e caminharam sugando a beleza das coisas simples.
O prenúncio da vida interrompida era falso.
Nada foi interrompido senão a desumanidade,
a indiferença e a falta de sorriso nos olhos.
Ele leu novamente.
E não chorou.
Ele viu vida em seus anos.
Apesar de sentir que não haveria muitos anos naquela vida.
Ele não chorou.
Simplesmente alcançou a imensidão do fim e do começo.
Do amanhã e da véspera.
Ele alcançou o que não dá.
E deu ao seu amigo.
22/03/12 RJ

domingo, 25 de março de 2012

Vendendo arte, por Raphael Juliano.



            Estamos precisando de mecenas! Sim, ultimamente em minhas andanças tenho percebido um aumento peculiar dos preços de livros, ingressos para teatros, espetáculos de dança e cinema.
            Em minha última visita à São Paulo tive que optar entre um livro ou outro na gigante livraria Cultura. Um exemplar de “Perguntaram-me se acredito em Deus”, de Rubem Alves, estava custando R$ 42,00 (quarenta e dois reais). Sim, é uma pechincha. Será uma pechincha para quem sobrevive com um ou dois salários mínimos?  Não estou desvalorizando o trabalho do grande Rubem. Estou apenas valorizando a sede que muitas pessoas têm em conhecer arte e que por questões de mercado, não podem.
            Pergunto-me: escrever, dançar, dirigir cinema, representar, não são vocação? A arte não estaria no próprio DNA existencial de quem escreve, dança, dirige cinema e representa? Não quero ser anacrônico a ponto de afirmar que estas pessoas não são merecedoras do dinheiro que ganham. Mas quero ser provocativo em questionar se elas se rendem ao mercado por uma questão de sobrevivência ou por uma questão meramente capitalista, de mercado.
            Fato é que o capitalismo mercenário invadiu todas as esferas do consumo ordinário. Prova disso são as catedrais centers do capital, o fast-food, que agora já nos adianta até o café da manhã no metrô e até a dimensão mais íntima e sagaz de uma relação: a correspondência. Alguém ainda escreve cartas? Creio que preferimos enviar mensagens rápidas pelo facebook ou torpedos ilimitados a R$0,25 (vinte e cinco centavos) por dia!
            Pois sim, o consumo invadiu a arte. Os poetas, dançarinos, atores que não se rendem ao mercado ou que não despertam o interesse dele são lançados à marginalização das praças, dos saraus, e das campanhas de popularização.  Em Belo Horizonte temos a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Que triste. Soa como: “vamos dar uma palhinha para os marginais. Vamos abrir espaços para os não consagrados, e aproveitamos e permitimos que os assalariados vejam teatro pelo menos uma vez ao ano.” Isso não é mecenato. Isso é legitimar o gueto dos pobres da arte!
            Precisamos urgentemente de mecenas que invistam em Machados de Assises que estão por aí escrevendo nas esquinas das cidades. Precisamos de pessoas que estimulem Cazuzas a comporem e cantarem. A arte clama por homens que promovam Fernados Meirelles e Almodóvares. Que nos apresentem novos Javiers Bardems que nos façam chorar assistindo a filmes como “Antes do anoitecer” a preços acessíveis.
            Do mesmo modo digo que precisamos que os Rubem Alves, as Biorks, os Woody Allen, as Fernanda Montenegro, saiam de suas singularidades e ofertem-nos sua arte, na nossa pluralidade de marginais do consumo.
            Pode ser que os mecenas cumpriam um papel político no período renascentista, ou mesmo antes, quando deveras o termo nasceu com Caio Mecenas. Pode ser que o ideal das feiras populares e das campanhas de popularização não seja guetificar as relações entre artistas desconhecidos e o público com menor poder aquisitivo. Mas será que os vocacionados à arte não estão deveras vendendo arte? E apenas vendendo?
            Recentemente houve uma feira em Belo Horizonte (não posso entrar em detalhes para não expor o amigo que fez parte da organização do evento) e um grande nome do carnaval brasileiro foi convidado para palestrar sobre o tema ‘inovação’. Ele cobrou nada mais e nada menos que R$45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) para falar por uma hora e meia. Com passagens áreas e hospedagem por conta dos realizadores do evento. Seria ótimo se os organizadores absorvessem os custos. Porém os custos foram  repassados para os participantes que pagam o ingresso que agora tem a alcunha de “investimento”.
            Enquanto meus escritores e músicos apenas venderem arte terei sempre que optar por um ou outro. E dessa vez escolhi George Orwell. Desculpe Rubem, desculpe, mas não deu para comprar os dois, sou marginal de bolso.

               

Xô preconceito!!

Racismo É Burrice
Gabriel O Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Poema "Além do tempo", por Raphael Juliano.



Os dias se passam lá fora,
O frio teima em entrar,
Mas minha caneta cá está.
Minha consciência vive em círculos,
Não é repetição ou estática,
Mas sim o processo de uma consciência bem resolvida,
Que nada teme, senão a fuga incessante daqueles que me amam.
Não poderei viver apenas com minha caneta nessa desolação.
Que no circular da autenticidade, meu espírito encontre homens bons e que mantenha próximos os já conquistados.
E quando vier a noite escura após o dia frio, que eu me sinta seguro,
Sabendo a quem escrever,
Sabendo a quem falar.
Que não me importem mais;
Dias,
Frio,
Noite,
Escuridão;
Que com boa consciência eu possa desde já estar fora do tempo.
Além do tempo.
Sem medos,
Sem seguranças,
Sem resoluções.
Enfim; pronto para acabar.