domingo, 4 de março de 2012

Poema "Meu coração", por Raphael Juliano.


Descrição: Céu e coração se confundindo fora da escuridão.


Olhando o céu eu só vejo rastros de um dia que não veio.
Não existem estrelas hoje; é só escuridão.
Não há som nas ruas. Os ecos fazem calar meu coração. Ele só queria ser livre.
É um bom coração!
E quando o coração bom se cala o espírito inquieto salta no quarto gritando: “chore, chore pelo que não foi.”
E o que morreu revive e pulsa como alguém que tem ânsia por viver longe da escuridão. Longe de um céu sem estrelas. Longe dos homens maus.
Não pare de bater, meu precioso. Não julgue qualquer forma de amor. Haverá o dia em que todos os homens compreenderão que basta amar.
E você, meu coração, verá um céu claro de amantes.

                                                                                                                                   RJ

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu...

Existe um momento na vida no qual descobrimos que não podemos mais trair nossas consciências. Essa descoberta pode ser perigosa porque as pessoas não estão acostumadas com as dúvidas, elas querem certezas, números e conclusões fechadas. Hoje percebo como as certezas podem prejudicar um homem em seus processos de autoconhecimento. Não quero ter certezas. Quero apenas desfrutar do hoje com minha fé pequenina, com meu paladar nada rebuscado, com meus olhos poéticos e com minha caneta maluca. Isso porque em pequenez descobri um amigo fiel em Deus. Em não sendo rebuscado descobri que os gostos e desgostos acompanhados de um bom vinho tornam a vida mais bela. Poetizando com as vistas sei que existe muita beleza solta por aí. E com a maluquice de minha caneta consegui encontrar minha vocação. Hoje posso dizer que sou um homem bem resolvido porque a boa resolução prá mim significa não crer em nada que esteja fora de minha consciência, porque isso é reputação, é o que os outros pensam de mim. E o que os outros pensam de mim não me importa mais. Sou o que sou, caminhando para a eternidade com muitos medos, afinal são eles que me mantém vivo. Agradecimentos? Agradeço a Deus que em sua onipresença sempre cuidou de mim e ao caos meu de todos os dias, que me tornou uma pessoa mais sensata e mais humana. As pessoas que merecem minha gratidão sabem que a tem, porque todos os dias meu coração encontra os meus amados.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Certezas, por Mário Quintana.

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.
Mário Quintana

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entrevista com o escritor Nelci Nunes.

 AMIGOS, APRECIEM A ENTREVISTA COM MEU AMIGO NELCI, UM ESCRITOR DA CASERNA:

 

Cabo Nelci Nunes, um romancista poeta

14/06/2011

Um romancista poeta ou um poeta romancista. É assim que o Cabo Nelci José Nunes Silva, mineiro de Belo Horizonte, se autodefine. Contrariando aqueles que não acreditam na sensibilidade de um policial militar, o escritor contemporâneo mostra a sua verve literária em obras como Tarumirim, A Cabeceira e muitas outras,  com o mesmo potencial para entreter e emocionar o leitor.

Com 43 anos de idade, 24 deles dedicados à Corporação, Nelci está, atualmente, atuando no Centro de Referência, Controle e Tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis – CRCT-Aids, unidade instalada no Hospital da Polícia Militar – HPM, onde é reconhecido como um profissional competente. Nelci é casado com a secretária Nardélia Silva Ramos e tem dois filhos, Alexander, de 17 anos, e Henrique, de oito, que considera as suas maiores e melhores obras.
 
“Minha predileção pela literatura não interfere nas atividades de policial militar, pelo contrário, contribui para que eu entenda melhor o comportamento humano e os mais diferentes problemas que, cotidianamente, surgem no meu turno de trabalho”, ressalta. “Sou um escritor que, como tantos outros, observa o dia a dia das pessoas para se inspirar. Alguns dos meus poemas e contos são frutos do que ocorre em uma determinada época, que pode ser no passado, presente ou futuro”, destaca.
 
OBRAS
O seu primeiro trabalho – Tarumirim -, escrito aos 18 anos, continua engavetado até hoje, “por falta de patrocínio”, explica. Mas essa mesma obra, que está sendo revisada e ampliada pelo próprio Nelci Nunes, será, finalmente, publicada no ano que vem. “Com recursos próprios”, garante o poeta. “Infelizmente, os escritores desconhecidos do grande público sofrem esse estigma, que só é vencido quando o sucesso vem.”
 
A sua segunda obra, no entanto, teve destino diferente, uma vez que o romance A Cabeceira, publicado em fevereiro de 2010, esgotou em apenas um mês. “Foi um sucesso de aceitação, que me deu muita alegria”, exprime o escritor. O livro Histórias Inanimadas  também lhe trouxe uma surpresa: recebeu, em 1998, uma apreciação especial do ex-presidente da República e então senador José Sarney, que escreveu: “Li o seu conto com o máximo interesse, e lembrei-me do escritor Edgar Allan Poe, em sua obra Histórias Extraordinárias. Bravo!”.
 
Uma das maiores alegrias de Nelci Nunes ocorreu, em maio deste ano, quando foi aprovado, em primeira sessão, para assumir uma cadeira na Academia de Letras João Guimarães Rosa, da Polícia Militar de Minas Gerais. “Foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida”, garante. Mas, não é só isso. O autor é o terceiro praça a entrar para ALJGR e também o primeiro cabo a merecer a honraria.
 
Inspirado em autores como Machado de Assis, Érico Veríssimo e Humberto de Campos, brasileiros, e no português Éça de Queiroz, Nelci tem, também, predileção por escritores estrangeiros, como o irlandês Jaimes Joyce. “Eles são os maiores do Planeta e merecem ser lidos e relidos, sempre.”
 
Essa admiração por grandes autores, Nelci percebeu que existe  por todos os lugares que passou, como a Academia Municipalista de Letras, que o convidou para ser um de seus membros e ele não aceitou. “Na época, não estava preparado”, modestamente, recorda. “Mas, hoje, estou”, completa.
 
CONTOS
Como é autodidata, a exemplo do também escritor português José Saramago (in memoriam), o policial militar se enveredou também pelo caminho dos contos e, impulsionado pela vida na caserna, escreveu O Menino, “um suspense de excelente qualidade, segundo os leitores”, ressalta. Posteriormente, veio o policial O Caminho, história que remonta os idos de 2001 e trata de roubos ocorridos em Belo Horizonte. Esse conto ganhou o 1º lugar, como convidado, de um concurso da Academia Municipalista de Letras.
 
Nelci Nunes escreve para todo o tipo de leitor, desde o mais exigente até o mais simples. Seu trabalho agrada ,principalmente, a quem procura escritores emergentes em bienais e em projetos como o Sempre um Papo, levado ao público no Palácio das Artes, em bares temáticos da cidade e até em alguns programas de televisão.
 
Para conhecer melhor o escritor, o caminho mais curto  é adquirir uma obra sua ou acessar o site www.muraldoescritor.com.br, onde, com frequência, o policial militar publica trechos de seus livros, com o pseudônimo Nelci Nunes, o Falador. (Alexandre França) 

PUBLICADO EM https://www.policiamilitar.mg.gov.br/portal-pm/conteudo.action?conteudo=16112&tipoConteudo=noticia

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Trecho do poema "Morro de ti", de Jaime Sabines.

 
"Morro de ti, amor, de amor de ti,
da urgência da minha pele de ti,
da minha alma de ti e da minha boca
e do insuportável que sou sem ti."
Jaime Sabines

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amor: corações que se tornam um.



"Que eu não veja obstáculos na união de corações sinceros,
O amor não se turva em águas turvas nem se curva ante a chuva. 
Não. É uma luz constante que a tempestade não altera.
É a estrela de toda nau errante, de brilho claro, embora sem matéria.
Não é joguete do tempo, embora a carne sofra o peso de sua foice,
Se isso for falso, e provado também, eu nunca escrevi e nunca se amou ninguém."
Hilda Hilst

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Quem pensa por si mesmo é livre..."






Jesus girtou em angústias do alto da cruz: "Tetélestai!", ou seja "Está Consumado!"
Foi um grito, porém o cristianismo não tem entendido o ponto final que Jesus colocou na estória das prisões religiosas e legais mal interpretadas do primeiro testamento. Estamos todos livres. Não exista nada que possamos acrescentar de eterno ao Eterno, porque estamos caminhando de eternidade em eternidade, aqui e agora.
De maneira religiosa é díficil entender isso porque a religião tenta atrelar tudo à normas, condutas, sexualidade e moralismos. E aqui, creio eu, não cabe nada disso. Aqui cabe apenas liberdade que gera amor e amor que gera liberdade.

Na minha opinião foi um não-religioso que bem entendeu isso: "Quem pensa por si mesmo é livre e ser livre é coisa muito séria." (Renato Russo)
Está consumado. Estamos livres para ser o que somos com responsabilidade.
RJ

p.s. Gláucia, obrigado pelo cd!